Hora do almoço

postado em: Cotidiano 14

Uma coisa que me diverte muito é o apelido que as pessoas dão a certos restaurantes. Não sei exatamente como esses apelidos surgem – às vezes é um comentário irônico e que acaba ‘pegando’ entre os amigos. Seja como for, até no seriado Seinfeld essa questão de rebatizar restaurantes foi abordada – lembram do ‘Nazista da Sopa’?

Aqui na região de Perdizes, onde trabalho, há uma tradição na empresa em apelidar restaurantes novos que o pessoal da equipe descobre. Como esta é uma área nobre, almoçar torna-se um desafio para evitar lugares caros. Assim, geralmente existe algum desbravador que se envereda por ruas desconhecidas para trazer a notícia de algum restaurante acessível para almoçar. Acessível, porém, com algum detalhe peculiar que lhe renda o apelido.

Outro dia estávamos decidindo aonde iríamos almoçar e começaram as sugestões: “Vamos na Tia Louca?”, “Não, o Varanda do Terror é mais perto.”, “Eu queria comer massa, acho que vou lá na Cantina Bizarra“.

Fiquei rindo sozinho ao ouvir essa conversa e confesso que quem não está habituado à nossa nomenclatura peculiar para restaurantes pode achar que comemos asa de morcego, olho de lagarto ou patas de aranha. Mas esses apelidos são apenas nomes carinhosos para nossos restaurantes favoritos.

Vejamos, a “Tia Louca” é um restaurante por quilo com um ambiente familiar – tão familiar que é capaz de você se envolver nas brigas de família dos donos (a Tia Louca, o Tio Louco, a Filha Louca e o Filho Louco). Ah, e como esquecer o enorme pôster, datado de mil novecentos e sessenta e pouco, da Tia Louca agarrada ao “rei” Roberto Carlos?

Desconheço a origem do nome “Varanda do Terror”. Talvez seja um trocadilho com o nome real – “Varanda do Sabor” – ou porque alguém alguma vez pode ter tido alguma experiência aterradora ali. Também é um restaurante por quilo e a comida é boa. Ultimamente tem sido minha preferência.

Já a “Cantina Bizarra” é… hã… realmente bizarra. É uma cantina italiana típica – inclusive fiquei sabendo que serviu de lavagem de dinheiro para a Máfia há muitos anos. O dono, um italiano típico, esbanja grosseria na tentativa de atender educadamente seus clientes. Certa vez estávamos em umas dez pessoas e nossos pedidos atrasaram um pouco. Chega então o dono para resolver o problema. Sacou o bloquinho de notas e foi conferindo os pedidos. Levantei a mão para pedir uma coca e ele prontamente recusou-se a anotar: “Não! Estou aqui para ver quem está sem comida e não sem bebida. Para pedir bebida tem que falar com o Pelé. Pelé! Traz a coca do rapaz aqui!”. Pelé é um dos garçons. Na hora de pagar, a maquininha de cartão estava com a pilha fraca. E antes de trocar a pilha, o dono xingou, bateu nela, reclamou que estava com defeito e então gritou: “Pelé, cadê as pilhas dessa porcaria?”

Mas esses lugares não são exclusivos daqui da região. Quando trabalhei no Tatuapé, havia um restaurante apelidado de “Crazy Witch”. Também naquela época, às quintas-feiras, era comum irmos à Praça do Bom Parto comer fogaça numa barraca de feira. Parafraseando Seinfeld, o dono poderia ser descrito como o “Nazista da Fogaça”. Você só podia fazer um pedido por vez, senão ele se irritava. Certa vez pedi duas fogaças e ele, bufando, reclamou: “Você vai comer as duas ao mesmo tempo? Não. Então pede uma, come, e depois pede outra. Senão atrasa os pedidos das outras pessoas e a fogaça fica aí parada, esfriando”. Um verdadeiro gentleman.

Meu irmão também conta de um restaurante próximo à Rua Funchal o qual era conhecido por “Azia’s”. E alguns restaurantes sequer precisam de apelidos. Lá na região da Av. Berrini, próximo ao Centro Empresarial Nações Unidas, há um bonito café chamado “Garfus”. Se você andar uns três quarteirões, encontrará estabelecimento parecido chamado “Pratus”. Ainda não encontrei o “Copus”, mas com certeza deve estar por ali, em algum lugar.

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Empresário, Palestrante e Escritor. ⚡ Fundador do Marketing de Transformação, que emprega técnicas de autoconhecimento e coerência para elevar o espírito de pessoas e empresas.

14 Responses

  1. Emerson
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    Eu lembro desse episódio da fogaça. E depois que o Nona fechou a opção melhor que eu tinha era a Crazy Witch. Na época o Vegeta ficava longe e não estava muito disposto a andar tuda aquela distancia todos os dias.

    Agora, eu fico impressionado de como essa turma que atende em restaurantes e lanchonetes são um tanto quanto ignorantes em ralação a comida. O Emílio mesmo é testemunha de quando um garçon veio me perguntar se havia carne num prato de salada, o detalhe é que no prato haviam vários rolinhos de presunto.

  2. Alegt
    | Responder

    Essa história toda me lembra uma piada (velha, mas, muito boa). O sujeito chega no restaurante e pede um prato de sopa. Após dar algumas colheradas encontra um fio no meio boiando. Bravo, ele chama o garçom que prontamente responda ao apelo do consumidor.

    – Pois não? Atende o garçom

    – Meu amigo tem um cabelo na minha sopa! Reclama o cliente

    – O senhor me perdoe, mas, isso deve ter caido do saco do feijão. Isso não deveria acontecer. Peço mil desculpas e vou resolver já para o senhor.

    Segundos depois, o sujeito ouve o garçom gritar:

    – Feijão, já te disse pra não cozinhar pelado!

    Conclusão – as vezes é melhor nem perguntar sobre a procedência dos pratos…rs

  3. Emerson
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    Essa eterna história do Feijão.

  4. Emerson
    | Responder

    Essa história do restaurante me lembrou dos problemas do Alegt com azeitonas. Uma das tantas vezes que nossa equipe teve de ficar trabalhando até mais tarde, pedimos uma pizza fechada, o Ale abriu a pizza e tirou todas as azeitonas, hahaha. Mas aquela pizza tava muito boa.

  5. Emerson
    | Responder

    Lembrei também agora das tramoias do Briza e do Leandro que só ficavam satisfeitos comendo uma montanha no prato. Quando os restaurantes tinham promoçoes de preço único com direito a uma mistura (o bife de sempre), os engraçadinhos pegavam primeiro a mistura e cobriam tudo com o feijão e arroz, e depois voltavam para colocar outra mistura por cima.

  6. Alegt
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    Azeitona é cruel…. Vc não lembra da parada sinistra da pizza crua do Esfirra Chique da PRAÇA?

  7. ALEGT
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    E como não lembrar do Thumbs Amélia (ex-Nona Amélia ou Véio doido Amélia, né Emerson?)…. Aquela comida era bizarra…. carne com aspecto de cadáver humano… Sinceramente…. Pior era o dedo do sujeito que servia os pratos. Aquele polegar tinha uma espécie de convulsão pra ficar dentro da comida…

  8. ALEGT
    | Responder

    Emilio, depois me passa o endereço da Cantina Bizarra… adoro essas coisas pitorescas…. kkkkk

  9. Emerson
    | Responder

    Eu lembro do Nona, comia massas lá. Como não como carne estou por fora dessa história de carne humana. E o cara mandava preparar um especial pra mim, a dona que o substituiu também.

    Agora, eu lembro que você tinha uma encranca com o dono do Pantagruel. Só que ele sempre lembrava de você, depois passou a sua birra e você voltou a comer lá. O Pantagreul era um lugar tranquilo que eu gostava de comer, e de vez em quando eu ainda peço comida de lá.

  10. Michel
    | Responder

    É, aqui a gente come no Tio do Pan, no Ratinho, no Sr. Burns… Pena que o Cebola fechou, queria ter conhecido…. De tarde, a gente pega doce no China, no Japa ou no Coréia….

    E na época do Banana Games eu tinha que comer todo dia no Azia’s….

  11. Alegt
    | Responder

    Emerson,

    Eu nunca tive treta com o cara, pelo contrário, o dono do lugar é um grande amigo meu… Eu não gostava de ir lá direto porque o cara falava demais… Quase não conseguia comer tranquilo…kkkkkk

    Agora, lembro de sua treta com o dono do NONA AMELIA… Que vivia falando besteira pra vc… kkkk

  12. Emerson
    | Responder

    Não Rajah… não era comigo o negócio do Nona.

  13. […] falei sobre alguns lugares pitorescos onde costumamos almoçar aqui perto do serviço. Volto a um deles, que parece ter […]

  14. Paulo C. Barreto
    | Responder

    O saudoso Barata’s Place da Rua Amauri. Sem comparação em São Paulo; só no Palácio da Justiça do Rio o Lagartinha chega perto (e é mega-caro).

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